segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Alto Astral tem queda na audiência

Depois de duas novelas seguidas com temáticas inovadoras, o que acabou afastando o público da frente da TV (muitas vezes as pessoas reclamam que as novelas são sempre a mesma coisa e quando aparece uma história com algo diferente, logo é rejeitada), a Globo apostou em Alto Astral para recuperar a audiência, isso porque a nova trama das 7 é recheada de elementos clássicos de um bom e velho folhetim, como um vilão que tenta separar os mocinhos, uma pitada de humor, que é a grande sacada do horário e o desenrolar da história que sempre acaba com um certo suspense para prender o telespectador e fazer que o mesmo assista o próximo capítulo. Não que Além do Horizonte e Geração Brasil não possuíam essas características, mas o fato de a primeira ser inspirada em séries e filmes gringos e ter como tema um drama policial e a segunda contar como pano de fundo a tecnologia, ou seja, fugir do padrão, não agradou os amantes de novela. 
Voltando à obra de Daniel Ortiz, quem acompanhou o começo da história de Laura (Nathalia Dill) e Caíque (Sergio Guizé) de cara já gostou do que foi apresentado. Os núcleos, como o da família Pereira e alguns dramas, como o paradeiro do esposo de Suzana (Adriana Prado), o mistério de Tina (Elizabeth Savala) ou mesmo a espiritualidade do protagonista e de Claudia Raia, que é tratada de uma maneira divertida, faz com que as ações das personagens não girem somente em torno do casal principal, isso é bacana, pois assim, a maioria do elenco ganha um certo destaque na novela. 
Mas, esses esforços não estão sendo suficientes para prender a atenção do público. No início, a média era de 22 a 24 pontos de audiência, agora os números marcam 18 e 21. Vários fatores contribuíram para essa queda, como o horário de verão, o efeito cascata que começa com o mau desempenho de Boogie Oogie, que registrava 20 pontos e hoje está na casa dos 15 e 17, porém os fatores que mais prejudicam os índices de Alto Astral são a divulgação e o próprio andar da carruagem. 
Os constantes flashbacks das personagens dão um ar de barriga (quando a história fica andando em círculos e não avança), mesmo que sem intenção. Alguns, aliás, acontecem no mesmo dia que a cena foi ao ar. A sensação é de que o autor quer explicar o que está acontecendo, através do "remember", para quem perdeu algum capítulo.     
Já nas chamadas curtíssimas na programação da emissora observamos apenas o que vai acontecer com o casal principal, que não está sendo o mais interessante da história. As chantagens de Sueli (Débora Nascimento) pra cima de Marcos (Thiago Lacerda), por exemplo, chamam mais a atenção. A solução poderia ser duas chamadas diárias, uma para os protagonistas, outra para as tramas paralelas.     

  
É claro que atualmente, os números do Ibope não são os únicos meios de medir audiência e popularidade de qualquer programa de TV. Como disse Mauricio Stycer, recentemente em uma crítica à novela Império, as redes sociais e a repercussão da história como assunto no cotidiano das pessoas também demonstram o sucesso da história, mas essa não é a realidade de Alto Astral.
Ainda é cedo para classificar a trama das 7 como boa ou ruim, novas personagens estão para entrar e talvez movimentar mais a história, o horário de verão logo acabará e a reta final de Boogie Oogie pode levar mais telespectadores para a frente da TV mas, não tem como não enxergar os baixos números de Alto Astral como um desinteresse do público.